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Lipoaspiração em consultório pode colocar vida de pacientes em risco
----- Mesmo com nomes diferentes, como hidrolipo, procedimentos são cirúrgicos e precisam de local adequado Não importa o nome. Hidrolipo, lipolight, minilipo. Todos definem lipoaspiração, a cirurgia plástica campeã em eliminar gordura localizada. Os novos títulos para uma operação que existe há mais de 30 anos revelam, em muitos casos, a má-fé de quem anuncia o procedimento. "Eles criam esses nomes para fazer marketing, mas lipoaspiração é uma cirurgia que tem de ser feita em centro cirúrgico por um cirurgião plástico", alerta Sebastião Guerra, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Nem sempre é assim. No dia 9 deste mês, a técnica em enfermagem Carla Fares, de 33 anos, foi uma das vítimas. Morreu dois dias depois de ter complicações por lipoaspiração feita em um consultório em Caxias, na Baixada Fluminense. Incomodada com o acúmulo de gordura nas costas, foi seduzida por anúncios na internet. São clínicas que anunciam a hidrolipo como se fosse uma lipoaspiração suave, feita em consultório com anestesia local. E cobram preços irrisórios, divididos em prestações. "Uma lipo feita dentro dos parâmetros do Conselho Federal de Medicina não sai por menos de R$ 7 mil. Esses médicos que fazem em consultório cobram R$ 800", denuncia Sérgio Levy, diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. O nome hidrolipo também é pura enganação. "Há 20 anos, toda lipoaspiração é hidro, ou seja, é feita com soro e adrenalina que evitam o sangramento excessivo. Mas é preciso cuidado, porque a adrenalina provoca reação no corpo", diz Volney Pitombo, cirurgião plástico de celebridades como Deborah Bloch e Luma de Oliveira. O procedimento parece simples. O cirurgião introduz uma cânula, com soro, adrenalina e anestésico, para sugar a gordura. "O buraco por onde passa a cânula é pequeno, mas a lipoaspiração é altamente invasiva. Aparentemente é uma cirurgia fácil de ser feita, mas na verdade é muito difícil ", diz Pitombo. Um dos maiores riscos está na anestesia, seja ela geral ou local. Por isso, é fundamental ter na sala de cirurgia um anestesista preparado com materiais de reanimação. "Se o paciente tiver alguma reação, é preciso agir rápido", diz Sérgio Levy. A recomendação da Sociedade Brasileira de Anestesiologia é que a clínica tenha também um centro de tratamento intensivo (CTI) de referência e o apoio de uma ambulância. "Atualmente nas lipoaspirações se usa uma dose excessiva de anestésico local e muitas vezes o efeito só passa 12 horas depois. Por isso, o paciente não pode ter alta no mesmo dia", diz Alexandra Assad, da Sociedade Brasileira de Anestesiologia. "Lipoaspiração é o sonho das mulheres que não conseguem eliminar culotes e barriga malhando", define Pitombo, que tem agenda lotada. Tanto sucesso atrai médicos dispostos a burlar as regras do Conselho Federal de Medicina (CFM). "Inventaram agora uma associação de medicina estética que faz curso de três dias para ensinar a fazer lipo. Eles atraem pediatras, ginecologistas, dermatologistas. Mas para ser cirurgião plástico é preciso ter formação em cirurgia geral, além de especialização em cirurgia plástica", explica Levy. O médico que operou Carla Fares não é cirurgião plástico. Na delegacia, Marco Antonio Raposo confessou que é anestesista, com curso de medicina estética. Foi indiciado por homicídio culposo. O diretor da Sociedade Brasileira de Medicina Estética, Nelson Rosas, diz que o curso oferecido pela entidade não habilita o médico a realizar procedimentos cirúrgicos. "Medicina estética não é cirurgia plástica", reafirma. Muitos fazem confusão e correm riscos desnecessários. Em 2009, o Conselho Regional de Medicina do Rio recebeu 25 denúncias de casos de cirurgia plástica e abriu 11 processos. Poucos são punidos. Nos últimos quatro anos, o Cremerj aprovou 5 pedidos de cassação - 3 foram ratificados pelo CFM. Sem punição rigorosa, as histórias de imprudência proliferam. "Já recebi paciente que se submeteu a uma lipo em pé em um consultório porque o médico disse que assim a gordura do culote saía mais fácil. Isso é um absurdo. Lipoaspiração feita de qualquer jeito virou um caça-níquel, um negócio da China. Até que um dia dá um problema grave", alerta Pitombo. RECOMENDAÇÕES A lipoaspiração só pode ser feita por um cirurgião plástico. No site da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (www.cirurgiaplastica.org.br/publico/index.cfm) é possível consultar se o médico tem registro de cirurgia plástica. Antes da cirurgia, o paciente tem de fazer exame de sangue completo, além de consultar um cardiologista para definir o risco cirúrgico. O procedimento tem de ser feito em centro cirúrgico, com a presença de um anestesista. Não deve ser feito em consultório. A gordura retirada nunca deve ultrapassar 7% do peso corporal. O custo mínimo de uma lipoaspiração, incluindo os honorários médicos e o centro cirúrgico, gira em torno de R$ 7 mil. Valores inferiores podem significar, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, falta de condições seguras para garantir a saúde do paciente Márcia Vieira O Estado de S.Paulo 17/01/2010
 
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